terça-feira, 8 de novembro de 2011

                          Antes de tudo o AMOR



Exigir que outros vivam as verdades evangélicas sem que experimentem o Amor é um ato de covardia.
Isso sempre me inquietou, sempre achei tal pregação a revelação de um Deus indiferente, daquele sentado no seu trono exigindo que vivamos a perfeição que ele não nos deu.
E se há uma coisa que Deus, manifestado na pessoa de Cristo, não é, é indiferente; ora é totalmente o contrario. Cristo sempre olhava para necessidade daquele povo sofrido. Só para citar em Mat. 15,32 Jesus diz: “tenho compaixão da multidão, faz três dias que não come”.(segunda multiplicação dos pães), e claro continua a olhar.
A verdade doutrinária para quem não é amado, ou não passou por uma experiência com Cristo, é um fardo pesado de mais, por isso não quero ser uma metralhadora dizendo um monte de verdades, dizendo isso ou aquilo é pecado, se não fizer tal coisa você vai para o inferno. Mas sei da necessidade de vivê-la, e não simplesmente da necessidade, mas principalmente do tesouro escondido na castidade, na sobriedade, no perdão, na pobreza de coração, na mansidão e humildade, na justiça, na Eucaristia.
Corremos sérios risco de acabar sendo falsos profetas, é o que nos ensina a sagrada escritura, aquele que coloca medo no povo é de fato um falso profeta, o verdadeiro profeta é aquele que instiga no coração do povo coragem e esperança, não o medo das penas do inferno, isso já fizeram de mais na Idade Média e até hoje se paga o preço, ou você nunca foi apontado numa sala de aula ao estudar historia geral? Ou talvez até mesmo apontasse o dedo acusador para algum colega.


Por tudo isso reafirmo; “ exigir que vivam as verdades sem que experimentem o Amor é um ato de covardia”. Enquanto não fizermos uma experiência com a pessoa de Jesus, enquanto não sentir no coração todo Amor que Ele tem por nós, verdade nenhuma, como as citadas acima, serão vividas. Por tudo isso reafirmo; “ exigir que vivam as verdades sem que experimentem o Amor é um ato de covardia”. Enquanto não fizermos uma experiência com a pessoa de Jesus, enquanto não sentir no coração todo Amor que Ele tem por nós, verdade nenhuma, como as citadas acima, serão vividas.




E continuo está reflexão voltando ao verdadeiro profeta que promove a coragem; coragem para sair da mediocridade, ora mediocridade vem de médio, esta no meio, “Nem quente nem frio” Apoc. 3,15, está no meio neste caso não é virtude nenhuma, aqui não significa equilíbrio, mas podridão por não optar por um caminho. O profeta deve ser esse que leva o povo a lutar contra o que é corrupção no Homem. Profeta de verdade faz “da queda um passo de dança”(Fernando Sabino), faz brotar a esperança onde só há desilusão, como fala São Paulo de Abraão “que esperou contra toda esperança” Rom. 4,18;  faz com que não percamos a esperança em um mundo melhor, em uma civilização do Amor.
Para isso não acredito na pregação da verdade sem Amor, mas no anúncio do “Amor cheio de verdade “ ( Bento XVI, encíclica  “Caritas in veritate”), é o que São Paulo  nos adverte “ as leis se resume em Amar o próximo como a ti mesmo” Rm. 13,9.
Sem mostrar que antes de tudo Deus nos amou não adianta tanta verdade, sei bem que “a verdade nos liberta” cf. Jo.8,32, mas talvez estamos pregando uma verdade que é só nossa, digo nossa porque se não passar pelo coração daqueles a quem pregamos vai continuar sendo uma imposição. Será que basta dizer a uma prostituta que sexo antes do casamento é pecado para ela largar a vida que vive? Penso que só o “Amor cheio de verdade” é capaz disso.

Termino perguntando: Alguém vivia castidade, se confessava, participava da Santa Missa, rezava o terço, fazia adoração, era contra aborto, sexo fora do casamento, relacionamentos descartáveis e tantas outras coisas sem antes ter experimentado o Amor de Deus, que passa pela experiência com o ressuscitado?

Alan Veloso


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