domingo, 5 de setembro de 2010

O homem de hoje, seus vícios e sua esperança


         
                                                               
 Alan Sávio Veloso¹
           “vejam quantas coisas o ateniense precisa pra                                           
             viver “ (frase atribuída a Sócrates, parado
             diante de uma tenda do mercado em que
            estavam expostas diversas mercadorias).²

Sócrates foi grande não só em perceber que “o homem é sua psyché”, mas também por, e principalmente, conseguir revolucionar a sociedade em que viva; sua influência foi tamanha que ele mudou o quadro de valores dos atenienses radicalmente, um povo que vivia em função de seu próprio corpo e riquezas exteriores, passou a cuidar, a priorizar sua alma, psyché, antes de mais nada e não de uma forma desequilibrada, já que não abandonou os exercícios físicos e o conforto gerado pela riqueza, simplesmente passou a aperfeiçoar sua natureza, fazer com que sua alma  seja boa e perfeita.

Mas como todo revolucionário pagou um alto preço por tamanha ousadia, afinal de contas aqueles que obtinham o poder não gostaram nada de tal revolução, sempre essas ‘aves de rapina’, que significava largar o ‘osso’. Sócrates morre, condenado a beber cicuta, veneno mortal.

Quase 2.500 anos mais tarde, em nossa atual sociedade, Sócrates teria que morrer novamente, já que aqueles valores que Ele dizia não ser um bem si mesmo, como as riquezas, o poder, a fama, o vigor e a beleza exterior, estão todos novamente em primeiro lugar no quadro de valores do homem pós-moderno.

O homem regrediu, desvirtuou o pensamento socrático que dizia: “virtude é o conhecimento e o vicio é a ignorância”.²                                                              
Claro, não se pode negar que o homem atingiu um alto índice cognoscitivo, mas muito desvirtuado, conhecimento voltado unicamente para o crescimento econômico, “a educação para o enriquecimento necessita de alunos dóceis, estudantes que ignoram as desigualdades”³. O conhecimento que vemos não produz virtudes como sabedoria (prudência, sensatez), fortaleza (força, energia moral), justiça (dar a cada um aquilo que é seu), temperança (quem modera apetites e paixões).
Como diz a frase acima, de Marta Nussbaum, temos estudantes que conhecem inúmeras fórmulas químicas, conseguem ir a outro planeta, sabem fazer bombas, mas não sabem fazer o que é bom e não sabem como ir ate o próximo que morre ao lado. Não cuida da psyché, alma, inteligência. Conhecem mas não aprendem.
Mas o que é pior, é que todo esse conhecimento é para poucos, se não uma pequena elite burguesa. Enquanto a grande maioria da população não tem nem se quer esse tal conhecimento. De manada. Com isso tem que se desdobrar para viver uma vida de aparências, trabalhando dia e noite para obter o tão sonhado silicone nos seios, a roupa da moda (por mais estranha, extravagante e feia que for). Já que a mídia os dominam com sua propaganda chantagista que faz uma lavagem cerebral nos que não conseguem enxergar que estão sendo manipulados e assim vivem para manter todo esse jogo sujo, que existe por baixo dos panos, dos que controlam o poder e a educação voltada para o lucro e não para o crescimento humano.
E tudo isso porque nossa humanidade perdeu os valores maiores, voltando a cultuar o corpo, fazer dele o seu deus, assim como a riqueza, a fama, o poder. Não se tem mais desejo de buscar o que engrandece a alma, o intelecto, os nossos intelectuais são pessoas egoístas, pensam só no seu interesse próprio, dóceis, ignorando toda uma parcela da sociedade que vivem na miséria. Caíram no jogo dos que vivem para si próprios.
E que fazem da filantropia um marketing, para cada vez mais ganhar em cima da miséria dos pobres, dos países que vivem abaixo da linha da pobreza. E tem a ousadia de dizer que são seus salvadores, do povo que eles mesmos abusaram.
O mais deprimente é ver os mais pobres buscando os mesmos valores, gastando suas energias e economias para comprar uma vida que não são suas, porque novamente o cuidado com a alma, com o aperfeiçoamento intelectual que produz verdadeiro conhecimento e virtudes, foi esquecido.
Precisa-se de um novo Sócrates! Sem medo de beber cicuta, que não se venda, que seja fiel aos ideais.
Se bem que os cristãos podem e devem fazer esta nova revolução, vivendo e propagando as virtudes inseridas no ser cristão.
Precisa-se urgentemente renovar o quadro de valores vivido hoje.
Pode ser ditas tranquilamente, sem medo de se equivocar, as palavras de Sócrates; “quantas coisas o homem de hoje precisa para viver”², quanto trambolho superficial, quanta insensibilidade, quanto egoísmo.
Hoje o mundo com sua modernidade consegue se comunicar com os quatro cantos do mundo, mas não se comunica com sua própria família, não sabem o nome dos seus vizinhos, do empregado.
O jornal ‘o povo’ do dia 5 de maio de 2008 publicou o seguinte noticiário da França:
                                                                             “o proprietário de um apartamento, irritado com a falta                                                                                                                                                                      de pagamento do aluguel, resolveu ir até o lugar na companhia de um agente judicial. Ao chegar ao apartamento, em Saint-Etienne, encontrou o esqueleto do inquilino sentado no sofá da sala. Segundo os médicos, a morte, aparentemente                                                                               por causas naturais, ocorreu há mais de um ano, quando o falecido tinha quarenta e dois (42) anos. [4]
É um absurdo, será que o homem do noticiário não tinha amigos? Cadê a família? Os vizinhos?
A resposta esta no conhecimento que já não é mais virtuoso, mas vicioso. Já não se vê mais os estudantes com paixão pela profissão, o que se vê dá desgosto, o jovem escolhe a profissão, que vai dedicar uma vida inteira, baseado no quanto ela pode lhe render no fim do mês. E dá no que dá profissionais burocráticos, sem amor nenhum pelo que fazem.
Por pura ironia este mundo que quer explorar outros planetas, quer esta sempre a frente do seu tempo, terá que voltar aos seus primórdios, terá que filosofar como seus primeiros pensadores e principalmente terá que explorar não as galáxias, mas seu interior, seu intimo.
A esperança enfim é a filosofia, é a fé; tão esquecidas por esse homem que só pensa em aprimorar suas maquinas e nunca pensa como aprimorar sua humanidade, que como diria Sêneca “para a humanidade a humanidade é sagrada”[5], por isso é necessário torná-la sagrada, é imprescindível dar ao homem identidade, virtude e futuro.
 Trabalho de metodologia cientifica Moc 2010.


                     
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¹ é aluno do curso de filosofia do Sem. Maior Imac. Coração de Maria
² Sócrates
³ Nussbaum, Marta
[4] Emir, 2008, p. 37/38
[5] Sêneca, estóico.
                                                                               

2 comentários:

  1. vai tirar nota dez rsrsrs....bom demais box. precisa-se propagar mais estes pensamentos para que a nossa humanidade acorde em relação a vida, acordar para o essêncial.

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    1. Valeu mano!! Tinha lido não, é verdade a humanidade precisa despertar! abras.

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