segunda-feira, 23 de abril de 2012

Tirem a cruz

Tirem a cruz
Querem tirar as cruzes dos  órgãos públicos  do Brasil, alegando que o estado nacional é laico. Talvez esta reflexão sirva mesmo para os Cristãos, apesar da dada lei ir de encontro à fé. Explico.
    Muitos – disse muitos – se opõem a lei, muitos dos qual faço parte. Mas infelizmente a cruz já foi retirada das nossas casas, dos nossos comércios, do nosso pescoço e pior dos nossos corações.
   Hoje escutei (sábado – 21/04/12): “ do que adianta usar uma cruz no pescoço e não ser caridoso? Não testemunhá-la?” concordo!
  A cruz no pescoço nos pesa os atos, o testemunho, ela nos dá a graça de sermos reconhecidos como Cristãos, e é aqui que o testemunho pode ser um peso, já que se nossas ações não condizem com aquilo que somos  reconhecidos, a cruz se torna objeto de acusação, sendo assim temos duas opções, tira-la ou testemunha-la.
   Tirem as cruzes!


    Ora quantos de nós, cristãos, não exclamamos como o estado? É muito mais fácil tirar a cruz. Podem me fazer a seguinte objeção: “mas há aqueles que testemunham sem ter no peito uma crucifixo”.
   Sim, sei bem que o fato é verídico, mas faço minha síntese, desta antítese, testemunha quem? Já que não tem identificação nenhuma? A si mesmo? Mesmo sendo tantos atos advindos dos valores Cristãos, há muitos que não fazem nenhuma relação de certos atos com Cristo, o que é normal neste mundo plural, onde muitos confirmam o que santo Agostinho dizia no séc. IV : “ há muitos que estão dentro, mas parecem está fora e há muitos que estão fora que parecem estar dentro”. Há Cristãos que parecem não sê-lo e há, sim, muitos que não professam nenhuma fé, mas vivem Cristo com sua caridade.
   Tirar a cruz é como ficar invisível. Fazendo uma releitura do mito do anel, de Platão – “A república” – ele diz que um homem justo[1] encontrou um anel que o tornava invisível, fazendo-o cometer corrupções sem ninguém acusá-lo. Assim é com a cruz, ela nos torna visíveis, nos identificando como pessoas da caridade e da justiça, mas retirando-a é como por o anel do mito, ficamos invisíveis sem a preocupação de sermos acusados pelos atos que cometemos, sem ter de ser Cristão.
  Quantos já tiraram a cruz, ou quiseram estar sem ela, quando estava prestes a fazer algo injusto? Ficando invisível , é como que tornar licito o que a cruz, com toda sua simbologia, condena.
   E onde a usamos com orgulho? Na Igreja, aqui eu preciso mostrar que sou Cristão. Grande incoerência é colocar o candeeiro debaixo da mesa, pois a luz é para brilhar no alto para que todos vejam. Ser Cristão na missa? É obvio, necessário, mas é ascender uma vela sob o sol,  ser Cristão, como luz que brilha na escuridão é testemunhar a cruz onde quer que seja. Como diz Mateus no capitulo 5, versus 15-16, “Não se ascende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro, a fim de que brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso PAI que está nos CÉUS”.
   Pergunto ainda adianta alguma coisa? Adianta tirar Cristo só para não ter de ser acusado pela sociedade? Sociedade essa que somente nos aceita enquanto somos úteis a ela, mas isso só mostra como nossos valores são externos, heterônomos, não internos, autônomos. Acusa-se a si mesmo! Não é a sociedade quem tem o poder de nos condenar, somos nós mesmos quem o exercesse.
   Enfim não tiremos a cruz, lutemos em testemunha-la, porque o problema não é, por nossa humanidade corrompida, não sermos coerentes, mas o grande problema está em legalizar a nossa incoerência.
   Lutemos sem medo de cair, a queda não é o fim, o fim é desistir de carregar no pescoço e no coração a cruz de nosso Senhor. Sinal[2] de nossa Salvação.



[1] Justiça para Platão é viver toda a virtude.
[2] O sinal tem sentido orientador, ele sempre aponta para alguma coisa.

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