Coragem! Eu
venci o mundo – Jo 16, 33
Energia moral ante situações aflitivas ou
difíceis.
“Não
mais o mencionarei, nem falarei em seu nome. Mas em meu seio havia um fogo
devorador que se me encerrara nos ossos”. Jr. 20, 9.
Todo
aquele que luta por algo maior que ele passa por momentos, que tem o desejo de
jogar tudo pro alto. E infelizmente muitos conseguem. Voltam à vida de manada,
de ovelha que segue a voz do lobo, pensando ser o melhor a fazer. Estranha essa
ressurreição, estranha e maldita, maldita por que em vez de ser uma libertação é
um voltar à vida de escravidão. Bem diferente da ressurreição prometida por
Cristo, que como afirma São Paulo é nela que conheceremos tudo face a face. I
cor 13, 12. E essa ressurreição é exatamente voltar à vida de ilusões.
Se
a ressurreição é as avessas, proponho então um suicídio as avessas, o
filosofo francês Albert Camus já o proclamava, suicídio esse que ao invés de ser
um ato covarde para com toda humanidade é um ato de amor a ela. Amor por que
dar-se um fim àquela vida de gado, marcada e ilusoriamente feliz.
A
oposição é tão marcante que esse suicídio acontece por que se encontrou um sentido maior para viver, enquanto o
outro é exatamente por falta de razão à vida.
E
é precisamente esse sentido que
devora como um fogo o amago do profeta e esse o fazia continuar seu profetismo.
Rogo
a Deus que este mesmo fogo consuma o coração daqueles que querem voltar a uma vida,
ressurreição torta, de ilusões. Sem perceberem que “o Senhor luta ao seu lado
qual poderoso guerreiro” Jr 20, 11.
Quando
a crise vos peneirar como trigo, não desanimai, Cristo roga por ti, para que
tua confiança não desfaleça, e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos. Cf. Lc
22, 31-32.
Eis
o ponto crucial, eis a luta que nos transcende, confirmar os irmãos, sustentar,
manter o humano. Confirmar = Crismar.
Isso
é ser cristão – viver algo maior, muito maior que nós mesmos – viver a alquimia
(qualquer metal que o alquimista tocava se transformava em ouro), transformar a
pobreza em riqueza (não se prenda simplesmente ao materialismo), a maldição em
benção. Cristo o fez em toda sua vida terrena e de modo especial na cruz, o que
era objeto de mais alta condenação se transforma em símbolo de salvação. Mas
não se preocupe com a demora das transformações, provavelmente nunca a veremos
acontecer plenamente, mas assim mesmo faça. Como dizia a Beata Teresa de
Calcutá, “seja você a mudança que você tanto quer”.
E
como a cruz, a vida daquele que luta pelos que são invisíveis a essa sociedade
exibicionista, será uma loucura, mas a loucura de Deus é mais sabia que inteligência do homens, Cf. I cor 1; 18, 25. Por tudo isso não jogue tudo para o alto, o efeito
borboleta (teoria que diz que um bater de assas no oriente pode provocar um
vendaval no ocidente, que está tudo interligado) do amor acontece, a fraqueza
do amor é mais forte do que toda fortaleza, aparente, do ódio, um gesto de amor
com o agressor pode transformá-lo.
Lembro-me
dos ‘Miseráveis’, romance de Vitor Hugo, que conta o fato do temido ladrão Jean
Valjean que, ao sair da cadeia não encontra uma pousada que o aceite, até
encontrar na casa do bispo Benvindo, lá ele foi realmente bem vindo, uma cama
para pernoitar. Para surpresa do bispo ao acordar se depara com a casa roubada,
Jean Valjean volta ao crime, mas é pego e os oficiais faz questão de voltar ao
bispo para lhe mostrar que a misericórdia para com um ladrão é em vão, mas o
bispo não sabia outra coisa a não ser amar; pisca para o meliante e diz: “Ah!
Voltou! Estimo vê-lo. Mas agora me lembro. Também lhe dei os castiçais de
prata, como o resto. Por que não os levou, juntamente com os talheres?”. Bastou
piscar, confiar, mais uma vez e outra se preciso, para que o então transgressor
enfim se transformasse.
O efeito borboleta parece tão insignificante,
um piscar de olhos misericordiosos diante de um roubo. Todo gesto de
misericórdia sempre parecerá um ação infinitamente pequena em relação a
aparente força do ódio. Mas pode causar efeitos inimagináveis. “Deus usa do
fraco no mundo para confundir os fortes” Cf. I cor 1, 27.
Quando
a desejo de desistir das coisas aparentemente perdidas vier, “façamos da
interrupção um caminho novo. Da queda um passo de dança, do medo uma escada, do
sonho uma ponte, da procura um encontro”, Fernando Sabino.
Façamos
como outro profeta, Isaías “Não quebrará o caniço rachado, não extinguirá a
chama que ainda fumega”, mesmo que tudo conspire para o caminho mais fácil de
quebrar o caniço ou apagar a chama - fazer como todo mundo faz - sejamos
fortes, lutemos pelas causas ‘perdidas’, elas nunca cessarão enquanto houver
quem se entregue por ela.
AlanVeloso
Imagem da flor: damiaoaraujo.blogspot.com
AlanVeloso
Imagem da flor: damiaoaraujo.blogspot.com



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