sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013


Coragem! Eu venci o mundo – Jo 16, 33
 Energia moral ante situações aflitivas ou difíceis.

“Não mais o mencionarei, nem falarei em seu nome. Mas em meu seio havia um fogo devorador que se me encerrara nos ossos”. Jr. 20, 9.
Todo aquele que luta por algo maior que ele passa por momentos, que tem o desejo de jogar tudo pro alto. E infelizmente muitos conseguem. Voltam à vida de manada, de ovelha que segue a voz do lobo, pensando ser o melhor a fazer. Estranha essa ressurreição, estranha e maldita, maldita por que em vez de ser uma libertação é um voltar à vida de escravidão. Bem diferente da ressurreição prometida por Cristo, que como afirma São Paulo é nela que conheceremos tudo face a face. I cor 13, 12. E essa ressurreição é exatamente voltar à vida de ilusões.
Se a ressurreição é as avessas, proponho então um suicídio as avessas, o filosofo francês Albert Camus já o proclamava, suicídio esse que ao invés de ser um ato covarde para com toda humanidade é um ato de amor a ela. Amor por que dar-se um fim àquela vida de gado, marcada e ilusoriamente feliz.
A oposição é tão marcante que esse suicídio acontece por que se encontrou um sentido maior para viver, enquanto o outro é exatamente por falta de razão à vida.
E é precisamente esse sentido que devora como um fogo o amago do profeta e esse o fazia continuar seu profetismo.
Rogo a Deus que este mesmo fogo consuma o coração daqueles que querem voltar a uma vida, ressurreição torta, de ilusões. Sem perceberem que “o Senhor luta ao seu lado qual poderoso guerreiro” Jr 20, 11.
Quando a crise vos peneirar como trigo, não desanimai, Cristo roga por ti, para que tua confiança não desfaleça, e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos. Cf. Lc 22, 31-32.
Eis o ponto crucial, eis a luta que nos transcende, confirmar os irmãos, sustentar, manter o humano. Confirmar = Crismar.
Isso é ser cristão – viver algo maior, muito maior que nós mesmos – viver a alquimia (qualquer metal que o alquimista tocava se transformava em ouro), transformar a pobreza em riqueza (não se prenda simplesmente ao materialismo), a maldição em benção. Cristo o fez em toda sua vida terrena e de modo especial na cruz, o que era objeto de mais alta condenação se transforma em símbolo de salvação. Mas não se preocupe com a demora das transformações, provavelmente nunca a veremos acontecer plenamente, mas assim mesmo faça. Como dizia a Beata Teresa de Calcutá, “seja você a mudança que você tanto quer”.

E como a cruz, a vida daquele que luta pelos que são invisíveis a essa sociedade exibicionista, será uma loucura, mas a loucura de Deus é mais sabia que inteligência do homens, Cf. I cor 1; 18, 25. Por tudo isso não jogue tudo para o alto, o efeito borboleta (teoria que diz que um bater de assas no oriente pode provocar um vendaval no ocidente, que está tudo interligado) do amor acontece, a fraqueza do amor é mais forte do que toda fortaleza, aparente, do ódio, um gesto de amor com o agressor pode transformá-lo.
Lembro-me dos ‘Miseráveis’, romance de Vitor Hugo, que conta o fato do temido ladrão Jean Valjean que, ao sair da cadeia não encontra uma pousada que o aceite, até encontrar na casa do bispo Benvindo, lá ele foi realmente bem vindo, uma cama para pernoitar. Para surpresa do bispo ao acordar se depara com a casa roubada, Jean Valjean volta ao crime, mas é pego e os oficiais faz questão de voltar ao bispo para lhe mostrar que a misericórdia para com um ladrão é em vão, mas o bispo não sabia outra coisa a não ser amar; pisca para o meliante e diz: “Ah! Voltou! Estimo vê-lo. Mas agora me lembro. Também lhe dei os castiçais de prata, como o resto. Por que não os levou, juntamente com os talheres?”. Bastou piscar, confiar, mais uma vez e outra se preciso, para que o então transgressor enfim se transformasse.
 O efeito borboleta parece tão insignificante, um piscar de olhos misericordiosos diante de um roubo. Todo gesto de misericórdia sempre parecerá um ação infinitamente pequena em relação a aparente força do ódio. Mas pode causar efeitos inimagináveis. “Deus usa do fraco no mundo para confundir os fortes” Cf. I cor 1, 27.

Quando a desejo de desistir das coisas aparentemente perdidas vier, “façamos da interrupção um caminho novo. Da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sonho uma ponte, da procura um encontro”, Fernando Sabino.
Façamos como outro profeta, Isaías  “Não quebrará o caniço rachado, não extinguirá a chama que ainda fumega”, mesmo que tudo conspire para o caminho mais fácil de quebrar o caniço ou apagar a chama - fazer como todo mundo faz - sejamos fortes, lutemos pelas causas ‘perdidas’, elas nunca cessarão enquanto houver quem se entregue por ela.

                                                                                                            AlanVeloso

Imagem da flor: 
damiaoaraujo.blogspot.com


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