Mais que
pensei
Confesso;
tive medo, pensei; como vou falar para pessoas que têm por meta o desvelar de
uma ou outra ciência?
Chegar
com minha fé, meus símbolos... Como amo meus símbolos, como amo minha cruz,
minha vela, minhas imagens, minha folha (só uma mesmo, dado por grande amigo
hoje) de oliveira da terra santa, minhas cartas, minhas poucas fotos, minha
semente... E também amo minha fé!
Tive
medo só por isso, porque o mundo está se esquecendo dos símbolos, nunca duvidei
da eficácia da ‘Boa Nova’ ( do Grego ευαγγέλιον, euangelion (eu, bom, -angelion, mensagem, notícia) Evangelho), sei do seu poder sedutor, que é como
fogo, não há como se aproximar e não ser queimado, aproximar aqui é simbólico,
está vendo porque o meu medo? Como alguém pode repetir as palavras do profeta
Jeremias; “seduziste-me Senhor e eu me deixei seduzir” (Jer. 20, 7), sem se
deixar aproximar?
Os 'grandes' (aqueles que dão importância aos números), não sabem o que é se aproximar
da forma que falamos, pensam que basta chegar a um tabernáculo e já estão
próximos, ledo engano, se aproximar é muito mais que isso, não é como chegar a
um local, tem que se livrar de certos saberes, tem que ter coragem de ver o
invisível aos olhos, mas como? Se essa ciência só enxerga o que está diante dos
olhos! Como ver Deus, Essência Pura? Como ver Deus? Se ele não tem carne, não
tem materialidade. Como?
É
estranho como gostamos tanto de ser como um cachorrinho correndo atrás do
próprio rabo, é tão difícil convencer alguém de que o que buscamos nos deixa
tão livres que nada pode nos roubar essa liberdade, prisão alguma pode!
Tive
medo, mas que grata surpresa!
Encontrei
universitários que sabem o valor dos símbolos, e mais sabem o valor da fé, que
alegria, o mundo tem jeito! Mais do que imaginava, sempre soube que tinha, mas
agora tenho muita confiança, afinal pra mim, quem deixa de acreditar no ser
humano já deixou de ser Cristão, já deixou de acreditar nos símbolos. “Símbolos”
é tudo aquilo que nos diz mais do que se apresenta. Como minha semente ou meu
‘Tal’.
Como é
bom saber que dão valor ao que é invisível aos olhos. E como não lembrar do
“pequeno príncipe”? Que já dizia com toda sabedoria que “o essencial é invisível aos olhos”. Lembro-me dele também porque
caímos na bobagem de acreditar que Deus quer de nós mais do que podemos dar,
claro, Ele quer sempre o melhor para nós e de nós, mas ninguém melhor que Deus
para andar no mesmo passo que nós, já viram um adolescente com uma vovó? Andam
apresados, nem todos claro, ora puxando pela mão, ora andando na frente e
parando a esperar pela anciã, mas Deus sempre anda no mesmo passo que nós, sem
pressa, respeitando o nosso tempo.
Disse
que me lembrei do “pequeno príncipe”, em outra ocasião, o fato lembra-me porque
quando ele visita um rei, capítulo X, em seu asteróide esse rei o dizia: “Se eu
ordenasse, costumava dizer, que um general se transformasse em gaivota, e o
general não me obedecesse, a culpa não seria do general, seria minha”. Deus é ainda melhor ele nos dá todo potencial para
sermos melhores, ele nos pede como o rei do “pequeno príncipe” o que
sabe que podemos, em cada momento pede o que se pode, Deus sabe que podemos ser
bem melhores do que somos, mas sabe do que podemos agora.
O medo
se transformou em esperança, o medo de caminhar atrás, tendo que correr para
alcançar eruditos se transformou em esperança de estar sempre ao lado de sábios
loucos ou locos sábios? Que sabem dar valor ao ser do que ao ter.
Obrigado
a todos aqueles que têm a ousadia de serem loucos, de acreditarem no invisível
aos olhos, nos símbolos, no homem.
Afinal:
“E Deus existe? A vida tem sentido? O universo tem uma face? A morte é minha
irmã? Ao que a alma religiosa só poderia responder: ‘Não sei. Mas eu desejo
ardentemente que assim seja. E me lanço inteiro. Porque é mais belo o risco ao
lado da esperança que a certeza ao lado de um universo frio e sem sentido.’”
(Rubem Alves, O que é Religião).
Nunca
acabaram com o invisível que habita os símbolos, nossas almas não o permitem, nem
a dos não religiosos o podem.
Alan Veloso, valeu a ajuda Mauricio de Figueiredo.

Gostei desse, Lan ! "Hoje conheço em parte..." (Cor 13), mas isso não nos prende à parte que vemos. Graças a Deus, temos em nosso coração a certeza e o desejo por aquilo a que nos remete os símbolos. Porque, embora imperfeitos e parciais, sabemos que não pertencemos às coisas visíveis. E só o espírito entende. Não se pode explicar com ciência aquilo que está acima de todas as ciências. (Mandutii)
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