segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Mais que pensei


Mais que pensei

Confesso; tive medo, pensei; como vou falar para pessoas que têm por meta o desvelar de uma ou outra ciência?
Chegar com minha fé, meus símbolos... Como amo meus símbolos, como amo minha cruz, minha vela, minhas imagens, minha folha (só uma mesmo, dado por grande amigo hoje) de oliveira da terra santa, minhas cartas, minhas poucas fotos, minha semente... E também amo minha fé!
Tive medo só por isso, porque o mundo está se esquecendo dos símbolos, nunca duvidei da eficácia da ‘Boa Nova’ ( do Grego  ευαγγέλιον,  euangelion (eu, bom, -angelion, mensagem, notícia) Evangelho), sei do seu poder sedutor, que é como fogo, não há como se aproximar e não ser queimado, aproximar aqui é simbólico, está vendo porque o meu medo? Como alguém pode repetir as palavras do profeta Jeremias; “seduziste-me Senhor e eu me deixei seduzir” (Jer. 20, 7), sem se deixar aproximar?

Os 'grandes' (aqueles que dão importância aos números)não sabem o que é se aproximar da forma que falamos, pensam que basta chegar a um tabernáculo e já estão próximos, ledo engano, se aproximar é muito mais que isso, não é como chegar a um local, tem que se livrar de certos saberes, tem que ter coragem de ver o invisível aos olhos, mas como? Se essa ciência só enxerga o que está diante dos olhos! Como ver Deus, Essência Pura? Como ver Deus? Se ele não tem carne, não tem materialidade. Como?
Ora, é preciso conhecer os símbolos e seu poder criador. Ah... Se soubessem o que meu ‘Tal’ (cruz que tem formato de T) me diz, ah... Se soubessem que é muito mais do que podem ver! Ah... Se déssemos o mesmo valor ao que está escondido aos olhos... Quem dera se o buscássemos como buscamos o que os olhos dizem ter tanto valor, mas que pode ser roubado de forma tão fácil. Nos deixa tão tristes o roubo, parece que tirou um pedaço de nós, não é verdade? Mas, eis que podemos ter algo que nunca podem nos tirar. Por isso dizia o mestre, Jesus; “ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças e nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam”. (Mat. 7, 20)         

É estranho como gostamos tanto de ser como um cachorrinho correndo atrás do próprio rabo, é tão difícil convencer alguém de que o que buscamos nos deixa tão livres que nada pode nos roubar essa liberdade, prisão alguma pode!
Porque é tão necessário ter resposta para tudo? Porque minha semente, essa aqui,  precisa ter uma explicação? Porque querer responder tecnicamente o porquê que ela lembra-me a infância? E dizem: “É porque você sempre a tinha em mãos quando criança e isso ficou no seu subconsciente, assim sendo, ele o leva a pensar em coisas de quando criança”. Para mim é simplesmente porque a semente tem poder criador, ela é como uma maquina do tempo, mas não, é cientificamente provado que é porque ficou gravado em seu subconsciente.
Tive medo, mas que grata surpresa!
Encontrei universitários que sabem o valor dos símbolos, e mais sabem o valor da fé, que alegria, o mundo tem jeito! Mais do que imaginava, sempre soube que tinha, mas agora tenho muita confiança, afinal pra mim, quem deixa de acreditar no ser humano já deixou de ser Cristão, já deixou de acreditar nos símbolos. “Símbolos” é tudo aquilo que nos diz mais do que se apresenta. Como minha semente ou meu ‘Tal’.
Como é bom saber que dão valor ao que é invisível aos olhos. E como não lembrar do “pequeno príncipe”? Que já dizia com toda sabedoria que “o essencial é invisível aos olhos”. Lembro-me dele também porque caímos na bobagem de acreditar que Deus quer de nós mais do que podemos dar, claro, Ele quer sempre o melhor para nós e de nós, mas ninguém melhor que Deus para andar no mesmo passo que nós, já viram um adolescente com uma vovó? Andam apresados, nem todos claro, ora puxando pela mão, ora andando na frente e parando a esperar pela anciã, mas Deus sempre anda no mesmo passo que nós, sem pressa, respeitando o nosso tempo.
Disse que me lembrei do “pequeno príncipe”, em outra ocasião, o fato lembra-me porque quando ele visita um rei, capítulo X, em seu asteróide esse rei o dizia: Se eu ordenasse, costumava dizer, que um general se transformasse em gaivota, e o general não me obedecesse, a culpa não seria do general, seria minha”. Deus é ainda melhor ele nos dá todo potencial para sermos melhores, ele nos pede como o rei do “pequeno príncipe” o que sabe que podemos, em cada momento pede o que se pode, Deus sabe que podemos ser bem melhores do que somos, mas sabe do que podemos agora.
O medo se transformou em esperança, o medo de caminhar atrás, tendo que correr para alcançar eruditos se transformou em esperança de estar sempre ao lado de sábios loucos ou locos sábios? Que sabem dar valor ao ser do que ao ter.
Obrigado a todos aqueles que têm a ousadia de serem loucos, de acreditarem no invisível aos olhos, nos símbolos, no homem.
Afinal: “E Deus existe? A vida tem sentido? O universo tem uma face? A morte é minha irmã? Ao que a alma religiosa só poderia responder: ‘Não sei. Mas eu desejo ardentemente que assim seja. E me lanço inteiro. Porque é mais belo o risco ao lado da esperança que a certeza ao lado de um universo frio e sem sentido.’” (Rubem Alves, O que é Religião).
Nunca acabaram com o invisível que habita os símbolos, nossas almas não o permitem, nem a dos não religiosos o podem.


                                                                                     Alan Veloso, valeu a ajuda Mauricio de Figueiredo.




Um comentário:

  1. Gostei desse, Lan ! "Hoje conheço em parte..." (Cor 13), mas isso não nos prende à parte que vemos. Graças a Deus, temos em nosso coração a certeza e o desejo por aquilo a que nos remete os símbolos. Porque, embora imperfeitos e parciais, sabemos que não pertencemos às coisas visíveis. E só o espírito entende. Não se pode explicar com ciência aquilo que está acima de todas as ciências. (Mandutii)

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